
A Amêndoa
Uma fábula sobre quem abre as portas e quem carrega a safra.
Numa fazenda de cacau de Ilhéus, o dono conhece todo mundo e promete de pé, e a casa descobre que só anda enquanto ele anda, até que alguém passa a carregar o que ele atrai.
A imagem que sustenta o livro
Antes de o dia clarear, um homem de sessenta e sete anos senta numa pedra ao lado da porteira, com o chapéu no joelho e o telefone aceso na mão. Ele atende, convida, promete, e anota o que prometeu na palma da mão, a caneta. Ao meio-dia, o suor apaga.
A história
A Fazenda Umburana é uma roça de cabruca no sul da Bahia, e há trinta anos as pessoas sobem a estrada por causa de Seu Baltazar. Num mês chegam três propostas e um pedido: uma compradora de amêndoa fina, o selo de origem, um empresário de fora e uma revista. Ele diz sim a todos, de pé, no mesmo dia. Depois vem a semana que não coube, a visita que chega um dia antes, a amostra esquecida atrás do sal, e a frase mais educada que ele já ouviu: “Mas eu não consegui ver a casa.”
Quem muda a casa é Ionara, a mulher que limpava, às sextas, as máquinas paradas da cooperativa. Ela recusa ser secretária e estica um arame na casa de farinha: de um lado o que o dono prometeu, no meio quem carrega, do outro o que chegou. Ninguém se reúne. Ela anda.
O que a fábula faz de melhor
Mostra o dono sem diminuí-lo. Seu Baltazar continua na porteira, porque é o que ele faz melhor e ninguém faz por ele; o que a casa ganha é gente ao lado: Ionara, que carrega; Railane, que faz a ficha do lote antes de alguém pedir; Cleidiane, que recebe quem chega pelo nome. A roça está em cena na mão de quem trabalha, e a fala é a da Bahia, de “meu rei” a “Sem data, é migué.”
Para quem é
Para quem fundou a empresa e ainda atende todas as portas. Para quem carrega, na operação, o que o dono promete. Para a família que vive uma safra por ano e quer um ano inteiro.
Veredito
Uma fábula para ler em duas sentadas, com uma pausa no meio, de preferência com quem está ao seu lado na operação. Fecha com quinze perguntas para a sua casa, os Ditos da Amêndoa e um glossário. A lição: “Uma casa ganha circuito quando o dono atrai as oportunidades e alguém ao lado dele transforma cada uma em processo, safra após safra.”
E se a pedra da porteira da Umburana lembrar a sua própria casa, a Prumo terá prazer em conversar.
Este livro tocou em algo da sua empresa?
Conte em que ponto a sua empresa está. Começamos por uma conversa.
