← A estante/Resenha/Legado
Capa de A Barcaça

A Barcaça

Uma fábula sobre o que a família deixa a próxima safra fazer com o que aprendeu.

Guilherme Saboia e Wagner Freitas·fábula · legado · registro · Prumo Partners Edições

Numa roça de cacau do sul da Bahia que atravessou a praga, a neta volta agrônoma com uma ideia nova, e o avô guarda quarenta e poucas safras num caderno de capa de oleado.

A imagem que sustenta o livro

Antes do sol, um homem de setenta e nove anos desce o caminho de pedra até a barcaça com um caderno debaixo do braço. Empurram o teto no trilho de ferro, que range como sempre rangeu, e a amêndoa se espalha no tabuleiro em camada rasa. O caminhão do comprador sobe às nove, o preço da arroba vem de fora, e Damião Valverde anota a safra, como anota há quarenta e poucas safras, numa letra grande que atravessa as linhas.

A história

A Santa Clemência é uma roça de cabruca, com o cacau plantado debaixo da mata. Atravessou a vassoura-de-bruxa, o preço caindo e o banco, e continuou de pé quando seis famílias vizinhas venderam a terra. Marieta, a neta, volta agrônoma, com trinta e um anos, e quer fermentar um talhão à parte, com termômetro e tabela, para vender o cacau com o nome da roça. O tio, Adenilson, que paga as contas, faz a conta em voz alta na varanda. Dona Efigênia, que sabe pelo ouvido quando a amêndoa está seca, pede o rodo pequeno.

E o caderno do avô fica no armário da barcaça, dentro de um saco plástico, por causa da umidade.

O que a fábula faz de melhor

Trata com respeito quem atravessou. Ninguém na história é atrasado nem vilão, e quem discorda tem uma razão inteira. A roça está em cena, na mão de quem trabalha: a fermentação contada em dias e graus, a chuva que cai forte e para em vinte minutos, o comprador que morde a amêndoa e olha a cor por dentro. E a mesa da casa mostra a mistura da região sem explicar nada.

Para quem é

Para quem fundou ou atravessou os anos difíceis e guarda o que aprendeu na cabeça. Para quem volta com diploma e uma ideia que parece nova. Para quem cuida das contas e já disse não por um bom motivo. E para a família que quer deixar escrito, para quem vem depois, o que a casa sabe fazer.

Veredito

Uma fábula para ler em duas sentadas, com uma pausa no meio, de preferência com o caderno de quem atravessou em cima da mesa. Fecha com os Ditos da Barcaça e um glossário. A lição: “O legado é o que a família deixa a próxima safra fazer com o que aprendeu, e esse aprendizado chega a quem vem depois quando fica escrito, com o número feio junto do bonito.”

E se a barcaça da Santa Clemência lembrar a sua própria casa, a Prumo terá prazer em conversar.

Este livro tocou em algo da sua empresa?

Conte em que ponto a sua empresa está. Começamos por uma conversa.

Conversar pelo WhatsApp →Agendar 25 minutos com o Wagner →Falar com a Prumo →Voltar à Estante
Agendar 25 minFale conosco