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Capa de A Colmeia

A Colmeia

Uma fábula sobre o que as pessoas veem numa empresa, e sobre quem ouve antes que elas vão embora.

Guilherme Saboia e Wagner Freitas·fábula · pessoas · escuta · Prumo Partners Edições

Num entreposto de mel do extremo oeste catarinense, com a produção no azul, um velho apicultor ensina ao dono a ouvir a casa do jeito que ele ouve as caixas.

A imagem que sustenta o livro

Numa encosta virada para o nascente, Seu Leocádio encosta a orelha na madeira de uma caixa branca, de olho fechado, antes de abri-la. Ouve dezesseis caixas e acha uma brava. Silvino Brancher, o dono do entreposto que compra o mel dele desde a primeira safra, olha a mesma caixa e não vê diferença nenhuma. O velho vai buscar o fumigador e faz a pergunta que atravessa o livro: com cento e vinte pessoas na folha, quantas o dono ouve?

A história

Silvino passa na sala de extração todo dia, sabe o nome de uns dois terços do pessoal e tem a planilha no azul. Ercília, a encarregada, chega às cinco e meia, resolve tudo antes que chegue a alguém e anota o resto num caderno de capa verde. Para ouvir a casa, Silvino manda fazer uma caixa de cedro, com uma plaquinha de latão, e a pendura ao lado da porta do escritório, de frente para a mesa dele. Em um mês, chegam três papéis, todos de elogio.

Numa terça de março, a envasadora mais rápida do segundo turno bate no batente da porta aberta e diz que vai embora. O horário é melhor, explica.

O que a fábula faz de melhor

Trata com carinho uma família que gosta da sua gente. Ninguém na história é o vilão, e o dono cordial é tão verdadeiro quanto a encarregada que segura a sala. A apicultura está em cena, na mão de quem trabalha: a fumaça pouca e fria, a centrífuga que começa devagar, as abelhas que abanam na porta da caixa no calor. E a colônia do oeste aparece na mesa de domingo e na fala dos mais velhos, sem explicação.

Para quem é

Para o dono que passa na produção todo dia e acha que sabe como está a casa. Para quem conduz uma sala e resolve tudo antes que chegue a alguém. Para o sucessor que recebe os compradores e explica cada máquina. E para a família que quer ouvir a sua gente antes que alguém precise ir embora para ser ouvido.

Veredito

Uma fábula para ler em duas sentadas, com uma pausa no meio, de preferência com quem trabalha na sua casa. Fecha com os Ditos da Colmeia e um glossário. A lição: “A empresa é o que as pessoas veem, e a casa fica sabendo a tempo quando pergunta longe da mesa do dono, sem que ninguém possa ser identificado.”

E se o zumbido do entreposto dos Brancher lembrar a sua própria casa, a Prumo terá prazer em conversar.

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