
A Junta
Uma fábula sobre dois donos, um carro e a canga que ninguém olhava.
Numa ervateira da serra do Paraná, dois irmãos, donos meio a meio, querem a mesma coisa para a empresa e brigam pelo passo.
A imagem que sustenta o livro
A imagem vem do carro de boi: dois bois sob a mesma canga, puxando a mesma carga, cada um com o seu passo. A Nota ao leitor conta de onde ela saiu: “Os dois bons bois que puxam torto, nós vimos em muitas casas.” A Junta leva essa canga para uma ervateira de família, com dois irmãos que se querem bem e que há seis anos puxam o mesmo carro sem combinar o passo.
A história
Na Ervateira Dois Pinheiros, na estrada de Nova Podólia, a fumaça do barbaquá sobe antes do sol. Danuta e Basílio herdaram do pai a ervateira, meio a meio, e a mãe, Dona Vera, saiu do cartório com uma frase que a colônia repetiu: “Irmão e irmã, metade cada um. Não precisa de mais nada.” Danuta fala, negocia com o comprador de Curitiba e fala primeiro em qualquer sala. Basílio está no fogo do sapeco desde as quatro, sabe o nome de cada tarefeiro da poda e anota os ervais num caderno de capa azul.
Na assembleia da cooperativa, Zenon Pawlak apresenta um contrato de três anos com a indústria, para erva sem fumaça. Danuta se levanta e põe a Dois Pinheiros dentro, com trinta por cento a mais. Basílio queria o contrato e precisava de uma semana para ver o que cada talhão aguenta. Na cozinha da mãe, os dois descobrem que querem o contrato e o secador, e a conversa segue assim mesmo, porque o que pesa entre eles é o jeito como ela levantou e o jeito como ele ficou sentado.
O que a fábula faz de melhor
Mostra dois irmãos bons, cada um com o talento que a casa precisa. A colônia polonesa e ucraniana entra inteira: o sapeco, o barbaquá que o avô construiu, as pêssankas na prateleira da cozinha, a Páscoa em que polonês e ucraniano benzem a cesta na mesma fila. E a fumaça que dá à erva da casa o gosto que faz gente atravessar a serra é a mesma que o contrato pede para tirar.
Para quem é
Para irmãos, primos e sócios que dividem uma empresa: quem puxa na frente, quem sente o chão antes de andar e quem segura a casa entre os dois. A Nota ao leitor pede que o livro seja lido na mesma sala, com quem divide a empresa com você.
Veredito
Uma fábula com cheiro de erva e de lenha, para ler a dois, numa tarde ou em duas, com uma pausa no meio. Fecha com os Ditos da Canga e um glossário. E deixa a pergunta que ninguém fazia aos dois irmãos havia seis anos: o que cada um quer para a empresa daqui a dez anos?
E se a canga de Danuta e Basílio lembrar a sua própria sociedade, a Prumo terá prazer em conversar.
Este livro tocou em algo da sua empresa?
Conte em que ponto a sua empresa está. Começamos por uma conversa.
