
As Comportas
Uma fábula sobre o plano que só existe quando chega ao último talhão.
Numa fazenda do Cerrado mineiro, com a melhor barragem da região, uma gestora recém-chegada vai atrás do último talhão do canal, seco há três anos.
A imagem que sustenta o livro
No último domingo das chuvas, a barragem dos Bettencourt amanhece vertendo. Florindo, o patriarca de oitenta e um anos, ergue o copo no almoço e diz que a obra está pronta. Na ponta da mesa, o comporteiro abre a caderneta na página do talhão dezenove e passa o dedo por uma coluna de números que desce como uma escada. Ninguém pergunta.
A história
Na parede do escritório, o plano dos próximos três anos cabe numa folha, emoldurado, e está certo. Heloísa, agrônoma contratada de fora para gerir as operações, lê as três linhas e pede o resto: quanto cada canal leva, qual comporta alimenta qual talhão, quem responde por cada um. No armário, a planta da barragem para nos primeiros trezentos metros do canal-mestre, e dos canais não há um traço.
Às cinco e meia de uma manhã de junho, Janaína, a encarregada do dezenove, leva Heloísa ao fim do canal. O centro do pivô está verde, e a ponta da volta, amarela. Seu Olímpio abre as comportas na mesma ordem há trinta anos, e mede com o dedo onde não há régua.
O que a fábula faz de melhor
Trata com respeito todo mundo que abre comporta. O fundador fez a barragem certa, o filho plantou os talhões certos, e ninguém na história é o vilão. A régua pintada, a chapa de ferro, o pivô e o tensiômetro estão em cena, na mão de quem trabalha. E a fala do Cerrado mineiro aparece leve, na boca de quem é da terra.
Para quem é
Para o dono que tem o plano aprovado e emoldurado. Para o sucessor que abriu unidade nova a cada ano. Para quem toca a operação longe da sede e sabe a medida que ninguém pediu. E para a família que cresceu e quer ver o plano chegar até a ponta.
Veredito
Uma fábula para ler de uma sentada ou de duas, com uma pausa no meio, junto com quem toca a sua operação. Fecha com os Ditos das Comportas e um glossário. A lição: “O plano só existe quando desce até o último talhão, com medida e com dono, e precisa ser redesenhado cada vez que a empresa cresce.”
E se a barragem cheia dos Bettencourt lembrar a sua própria casa, a Prumo terá prazer em conversar.
Este livro tocou em algo da sua empresa?
Conte em que ponto a sua empresa está. Começamos por uma conversa.
